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quinta-feira, 9 de setembro de 2021

NABIA DE CALLAECIA, deusa dos rios, das águas e da guerra

Do instinto e força natural,

Ensina-nos a soberania,

Que brota dos pensamentos e intuições elevados

Como um cume de uma montanha

Que recebe as luzes solares,

Assim são as luzes da sabedoria,

Sabedoria de quem conhece o mais profundo de si.

Oh, Nábia das tribos,

Seu escudo e espada

São nossa proteção diária.

Um fogo sempre aceso

Mantém-nos unidos em sua presença

Diante de ti não tememos,

Guarda da nossa união,

Das nossas conquistas,

Guia e protetora das nossas batalhas,

Ao teu nome rendemos cada vitória.

Nábia, senhora das águas,

Do entremeio dos mundos,

Mãe nutridora,

De ti vem a fertilidade das nossas vidas,

O conhecimento íntimo da nossa existência humana,

Guia-nos, nos mistérios da vida e morte.

Nábia da Callaecia,

Relembramos o teu nome

E rendemos graça,

Como nos tempos antigos,

Estás viva!

(Poema tradicional)

PHOTO-STUDIES / mood

fotografias de Sabrina D. Marques 
 

PHOTO-STUDIES / mood

 






Fotografias/Gifs de Sabrina D. Marques






quarta-feira, 8 de setembro de 2021

OUTRAS NABIAS / Santa Iria



Nas fotos: Santa Iria na Procissão dos Avieiros, no Tejo. 

Durante o período que antecedeu à ocupação romana, a deusa Nábia era venerada pelos povos autóctones da Hispânia, designação dada pelos romanos à província que actualmente corresponde nomeadamente a Portugal e Espanha.  

Com a cristianização, o culto pagão a Nábia veio a ser substituído pela devoção a Santa Iria ou Santa Irene. Conta a lenda que Iria – ou Irene – nascera em Nabância, uma villae romana próxima de Sellium, a atual cidade de Tomar. Oriunda de uma família abastada, Iria veio a receber educação esmerada num mosteiro de monjas beneditinas, o qual era governado pelo seu tio, o Abade Sélio.

Dotada de beleza e inteligência, a jovem Iria atraía as atenções sobretudo dos fidalgos que disputavam entre si as suas atenções. Contava-se entre eles o jovem Britaldo que por ela alimentou uma enorme paixão. Contudo, Iria entregava-se a Deus e recusava as suas investidas amorosas.

Roído de ciúmes pela paixão de Britaldo, o monge Remígio que era o diretor espiritual de Iria, deu a beber a Iria uma mistela que lhe provocou no corpo a aparência de gravidez, provocando desse modo a sua expulsão do convento, levando-a a procurar refúgio junto do rio Nabão. Britaldo, a que entretanto chegara os rumores do ocorrido, movido por despeito, ordenou a um servo o seu assassínio.

Atirado ao rio Nabão cujas águas correm para o rio Zêzere, o corpo da mártir Iria ficou depositado nas areias do rio Tejo, aí permanecendo incorruptível para a eternidade, tendo o seu culto sido muito popular sobretudo no período do domínio visigótico.

Do nome de Irene – Santa Iria – tomou a antiga Scallabis romana o nome passando a denominar-se de Sancta Irene, daí derivando a atual designação de Santarém. Da mesma maneira que, para além de assinalar um acidente orográfico, a designação toponímica Cova da Iria deverá ter a sua origem no referido culto a Santa Iria, porventura já sob o rito moçárabe ou seja, cristão sob o domínio muçulmano embora adoptando aspectos da cultura árabe.

A lenda de Santa Iria e o relacionamento com o local onde nascera ou seja, a villae romana de Nabância, remete-nos ainda para o culto de Nábia, a deusa dos rios e da água, uma das divindades mais veneradas na antiguidade na faixa ocidental da Península Ibérica ou seja, a área que actualmente corresponde a Portugal e à Galiza.

Quando ocuparam a Península Ibérica à qual deram o nome de Hispânia, os romanos que à época não se haviam convertido ainda ao Cristianismo, adotaram as divindades indígenas e ampliaram o seu panteão, apenas convertendo o nome de Nábia para Nabanus, tal como antes haviam feito com os deuses da antiga Grécia.

Qual reminiscência de antigas crenças, o culto pagão à deusa Nábia – ou Nabanus – veio a dar origem à famosa lenda de Santa Iria – ou Santa Irene – cuja festa é bastante celebrada em muitas localidades portuguesas como sucede em Tomar e Ourém.

FONTE: https://bloguedominho.blogs.sapo.pt/a-fonte-do-idolo-em-braga-e-o-culto-a-5019698

terça-feira, 7 de setembro de 2021

NABIA, deusa dos rios e da água

 


Nabia era a deusa dos rios e da água na mitologia galaica e lusitana. O rio Navia, na Galiza, o rio Neiva, perto de Braga (antiga capital da Galécia) e o rio Nabão que passa por Tomar, no centro de Portugal, foram baptizados em sua homenagem. Nabia era especialmente adorada entre os Brácaros, tal como é comprovado pelas inscrições epigráficas em língua céltica da Fonte do Ídolo em Braga (Bracara Augusta) e latina de Marecos (Penafiel).