Mostrar mensagens com a etiqueta santa iria. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta santa iria. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Lenda de Santa Iria

Pedestal de cal e areia revestido a pedra e encimado com a imagem que deu o nome a Santarém, Santa Iria ou Eirena. Existem duas datas, 1644 e 1775. Encontra-se situado na Ribeira de Santarém, junto da margem direita do Rio Tejo. Pode ler-se a seguinte inscrição:

A D. S IRENAM OR D. INIS DL NEDIOTI
HICTAGVS IRENASACROTEGITOSSA SE PVLCHRO
QV.ª VTVIRCO MARTIR EVLGETINARCEPOLI

in “Santarém Monumental – Roteiro” de Octávio da Silva Paes Mendes


''Conta a história que na antiga Nabância (Tomar) nasceu Iria, uma bela jovem. Desde cedo, Iria descobriu a sua vocação religiosa e entrou para um mosteiro. A região era governada pelo príncipe Castinaldo, cujo filho Britaldo tinha por hábito compor trovas junto da igreja de S. Pedro.

Um dia, Britaldo viu Iria e ficou perdidamente apaixonado por ela. Ficou doente de amor e, em estado febril e desesperado, reclamava a presença da jovem. Temendo o pior, os pais foram buscá-la. Iria pediu-lhe que a esquecesse, porque o seu coração e o seu amor eram de Deus.

Britaldo concordou, sob a condição de que ela não pertencesse a mais nenhum homem. Passados tempos, Britaldo ouviu rumores infundados de que Iria tinha atraiçoado a sua promessa e amava outro homem. Furioso, seguiu-a num dos seus habituais passeios ao rio Nabão, apunhalou-a e atirou o seu corpo à água.

O corpo de Iria foi levado pelas águas até ao Zêzere e daí ao Tejo. Foi encontrado junto da cidade de Scalabis (Santarém), encerrado num belo sepulcro de mármore. O povo rendeu-se ao milagre e, a partir de então, a cidade passou a chamar-se de Santa Iria, mais tarde Santarém.

Cerca de seis séculos depois, as águas do Tejo voltaram a abrir-se para revelar o túmulo à rainha D. Isabel, que mandou colocar o padrão que ainda hoje se encontra na Ribeira de Santarém.''



quarta-feira, 8 de setembro de 2021

OUTRAS NABIAS / Santa Iria



Nas fotos: Santa Iria na Procissão dos Avieiros, no Tejo. 

Durante o período que antecedeu à ocupação romana, a deusa Nábia era venerada pelos povos autóctones da Hispânia, designação dada pelos romanos à província que actualmente corresponde nomeadamente a Portugal e Espanha.  

Com a cristianização, o culto pagão a Nábia veio a ser substituído pela devoção a Santa Iria ou Santa Irene. Conta a lenda que Iria – ou Irene – nascera em Nabância, uma villae romana próxima de Sellium, a atual cidade de Tomar. Oriunda de uma família abastada, Iria veio a receber educação esmerada num mosteiro de monjas beneditinas, o qual era governado pelo seu tio, o Abade Sélio.

Dotada de beleza e inteligência, a jovem Iria atraía as atenções sobretudo dos fidalgos que disputavam entre si as suas atenções. Contava-se entre eles o jovem Britaldo que por ela alimentou uma enorme paixão. Contudo, Iria entregava-se a Deus e recusava as suas investidas amorosas.

Roído de ciúmes pela paixão de Britaldo, o monge Remígio que era o diretor espiritual de Iria, deu a beber a Iria uma mistela que lhe provocou no corpo a aparência de gravidez, provocando desse modo a sua expulsão do convento, levando-a a procurar refúgio junto do rio Nabão. Britaldo, a que entretanto chegara os rumores do ocorrido, movido por despeito, ordenou a um servo o seu assassínio.

Atirado ao rio Nabão cujas águas correm para o rio Zêzere, o corpo da mártir Iria ficou depositado nas areias do rio Tejo, aí permanecendo incorruptível para a eternidade, tendo o seu culto sido muito popular sobretudo no período do domínio visigótico.

Do nome de Irene – Santa Iria – tomou a antiga Scallabis romana o nome passando a denominar-se de Sancta Irene, daí derivando a atual designação de Santarém. Da mesma maneira que, para além de assinalar um acidente orográfico, a designação toponímica Cova da Iria deverá ter a sua origem no referido culto a Santa Iria, porventura já sob o rito moçárabe ou seja, cristão sob o domínio muçulmano embora adoptando aspectos da cultura árabe.

A lenda de Santa Iria e o relacionamento com o local onde nascera ou seja, a villae romana de Nabância, remete-nos ainda para o culto de Nábia, a deusa dos rios e da água, uma das divindades mais veneradas na antiguidade na faixa ocidental da Península Ibérica ou seja, a área que actualmente corresponde a Portugal e à Galiza.

Quando ocuparam a Península Ibérica à qual deram o nome de Hispânia, os romanos que à época não se haviam convertido ainda ao Cristianismo, adotaram as divindades indígenas e ampliaram o seu panteão, apenas convertendo o nome de Nábia para Nabanus, tal como antes haviam feito com os deuses da antiga Grécia.

Qual reminiscência de antigas crenças, o culto pagão à deusa Nábia – ou Nabanus – veio a dar origem à famosa lenda de Santa Iria – ou Santa Irene – cuja festa é bastante celebrada em muitas localidades portuguesas como sucede em Tomar e Ourém.

FONTE: https://bloguedominho.blogs.sapo.pt/a-fonte-do-idolo-em-braga-e-o-culto-a-5019698